Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Conto

#Contos: Onde moram as nuvens - Capítulo 3

Imagem
                            Quando o avião pousou no aeroporto Cora Coralina, numa cidade próxima a Colina Azul o tempo estava nublado e garoando. O ânimo de Celina, que já quase não existia, reduziu á zero. Além da ideia de velar e enterrar seu único irmão, o pensamento de encarar Eva, sua mãe, a apavorava. Desde que saíra de sua terra natal o contato foi de esporádico a inexistente. Já com seu pai Gustavo, o contato já era um pouco mais frequente.               Para a família, sair da cidade era um sacrilégio, e Eva não lidou bem, em especial por acreditar nas lendas que circulavam de boca em boca, de que os de seu sangue era que mantinham a ordem da natureza, e Celina era uma espécie de herdeira de seu dom, e que tudo desandou um pouco quando a mesma partiu. Saindo do avião, ela continuou remoendo seus pensamentos, decidindo usar seu tempo de trajeto ...

#Contos: Onde moram as nuvens - Capítulo 2

Imagem
  Quando tinham 5 anos, Celina e Eldon brincavam no quintal da casa na fazenda que a família tinha. Para eles a terra repleta de grama verde e salpicada de pequenas flores parecia infinita, e entre as árvores espaçadas eles construíam um mundo inteiro.  O reino da infância era recheado de boas memórias, e presente em todas elas estava Eldon. Parecia impossível que agora ele não existisse mais. Celina e seu irmão fariam 30 anos em poucas semanas, e agora ela seria a mais velha. Já faziam dez anos que não ira até a pequena cidade de Colina Azul, cidade montanhosa no interior, com picos altíssimos que faziam o local ser conhecido como o lugar onde moravam as nuvens. Saiu assim que pode, se sentindo confinada pelo ar de marasmo que pairava sobre todos, que pareciam desejar a todo custo manter a cidade parada no tempo e focada em suas lendas locais. Quando abriu os olhos, estava em um divã na sala de sua chefe, cercada pela mesma e por duas colegas, que a olhavam como se já soubess...

#Contos: Onde moram as nuvens - Capítulo 1

Imagem
                Celina sempre amou a chuva.  Os trovões, raios e relâmpagos rasgando os céus a enchiam de serenidade. Por mais que fosse um algo trivial, evitava compartilhar esse detalhe sobre ela com os outros, isso após uma colega de trabalho fazer um comentário que a fez se sentir mal. Afinal, as pessoas geralmente tinham medo do tempo negro como breu, das nuvens como que prenunciando o fim do mundo.               Ás vezes quando dormia, sonhava que chovia sob sua cama, onde uma nuvem cinza derramava uma infinitude de água sobre o quarto, e sempre acordava com um som de trovão retumbante. Ao abrir os olhos, sentia uma solidão imensa ao mirar o teto limpo, por assim dizer. Sua vida seguia um ritmo tranquilo e até um tanto tedioso, trabalhava como design gráfico numa loja de moda on line, fazia pilates e lia um bom livro ante a lareira com uma taça de vinho.        ...

#Coluna do Nobre: Romeo (Capítulo 5)

Imagem
    Alberto era uma mistura sensual de enigma e mentira, quase veio à mente que fosse um cigano entrando na vida das pessoas de uma forma errônea, mais nunca mais saindo de lá. Depois da destruição em massa epilogando histórias belas seguia seu caminho como mandava os astros. Seu deus era a estrada. Talvez por isso fosse tão invisível por sempre querer a mudança que a terra e as estrelas podiam proporcionar, com certeza, adorar o imenso quilômetro de um passado para um novo recomeço de historia deve ser excitante.    Dentre os valores que Flora sempre tentou desmembrar por algum motivo ainda distante não obteve êxito em questão do Romeo, talvez quisesse provar alguma coisa para si própria.    Romeo levou Flora para o trabalho     no bairro boêmio da cidade perto da zona portuária, jovens com cigarros nos lábios fumando seus pecados e bebendo seus perdões, como conseguiam sorrir diante do encarceramento? algo que realmente foi difícil compree...

#Coluna do Nobre: Romeo (Capítulo 4)

Imagem
   Esperava tudo menos essa decepção, na verdade não se esperava nada porque mal o conhecia, era de se esperar algo parecido, olha se contradizendo novamente, esse clichê que a perseguia de um homem perfeito. Se ao menos a palavra perfeição tive algum sentido. Flora ligou para o numero mais era um número errado. Não era o dele. Um homem muito ignorante pintou e bordou do outro lado da linha afirmando que estava sendo perseguido por esse número e iria a políciafazer um boletim de ocorrência porque sempre ligam nesse maldito número atrás de um Romeo e ele não morava lá. Estava chato porque não era a primeira e sim várias.    Na praça do bairro desconstruindo algumas coisas que conseguia observar, precisava admitir uma coisa: ele é lindo, ainda lembra-se da voz arrastada, o palito no canto dos lábios desenhados, sentia desejo de beijá-lo, desejo de sentir o gosto da boca dele. E de repente um tédio fuzilou todas suas entranhas. Será que Romeo existia. Seria um ...

#Coluna do Nobre: Romeo (Capítulo 3)

Imagem
TOC. TOC.      Passos arrastados se aproximavam da porta principal onde Flora aguardava dando os últimos retoques, o corredor extenso e vazio fez Flora enxergar o que ninguém poderia ver a olho nu seria preciso obter uma sabedoria a mais para entender, conseguiu enxergar em cada porta no decorrer uma historia. Historias pela direita e esquerda. Algumas tristes outras felizes. Cada pessoa era uma historia e cada historia fazia as pessoas que moravam naqueles apartamentos. O mundo seria melhor se cada historia dessa se juntasse e se formasse uma única historia, mas o tempo ele se alimenta de historias por isso que morremos. Fomos criados para sermos eternos. Agora, não somos mais.      O rapaz que abriu a porta não era o caixa da livraria, Flora se desculpou com o adolescente que a atendeu gentilmente e saiu do bloco um pouco decepcionada gostaria de agradecer pessoalmente pelo livro indicado. Agradecer por ser honesto e não vender qualquer coisa para...

#Coluna do Nobre: Romeo (Capítulo 2)

Imagem
Acompanhe Flora e sua busca do rapaz da livraria no segundo capítulo de Romeo 💟       O livro a obrigou desconstruir todo o muro que construiu em volta de seu coração não permitindo amar ninguém além de si própria. Todo esse mundo em que optou viver desencadeou um sentimento diferente já conhecido, sua primeira paixão literária foi àquele personagem, quem leu e analisou percebeu que ele se desconstruiu por ela e ela o refez. Refez por entender que dificilmente homens largam seus orgulhos e seus egoísmos para se tornarem melhores, poderia desistir por saber que seus pais não aprovavam seu relacionamento por conta do mal falado, mas tinha uma visão única dele como se fosse um veneno que ultrapassava todo seu ser e o enfraquecia. Flora voltou na biblioteca do bairro vizinho para pesquisar mais sobre o autor que a fez se colidir com si própria em questão do amor, voltou também para rever o caixa-bonito-com-sua-metáfora-sobre-palitos-de-dente. Desta vez foi de ônibus,...

#Coluna do Nobre: Romeo (Capítulo 1)

Imagem
    Todos sorrindo exibindo a brancura dos dentes os casais juntos com suas alianças cravadas no dedo, era como observar uma casa de boneca na vitrine, pausa para mais uma foto, por favor, perfeição no sorriso, não queira ser analisado pelos críticos do álbum de família. A tia que encontra o mal olhado, o reflexo nos olhos o deixando vampiresco, a indigestão de ter que ouvir sobre o meio sorriso, aquele leve amarelado nos dentes indicava que você fumava ervas plantadas no fim do corredor a direta, e, Flora. Estouram o champanhe e fim de festa. Ela saia pelas ruas do bairro desconstruindo as ideias pré-concebidas e as dando novas funções deixando menos perfeitas que soavam; todo fundamento fugia da presença dos pensamentos filosóficos da destruidora dos sonhos. Não tinha nenhum segredo nos seus passos só precisava desconstruir os fatos, precisava construir a versão dos fatos dela, antissocial, compulsiva, mandona, maloqueira quando tem que ser, respirava individualismo, ...

#POST ESPECIAL: WE ARE BACK! E tem coisa nova!

Imagem
       E NÓS VOLTAMOS! Para 2016 reservamos doces surpresas, e para começar, que tal um arrebatador conto de amor de nosso amado colunista Victor Nobre? Uma história inspirada livremente em Romeu e Julieta, mas não se engane, muitos conceitos dessa antiga estória podem não ser tão iguais. Confira a sinopse de "ROMEU". Gostaram? Então esperem bonitinhos que o primeiro capítulo logo estará estreando! Seus olhos buscavam a beleza do meu corpo como se olhasse o paraíso. "Ei, menina dos cabelos lisos quero ser o seu Romeo", dizia Alberto. O olhar dele observava a perfeição na imperfeição dos meus atos. Ao caminhar do lado dele sentia-me protegida pelo seu mau hábito de querer esquecer-se dos problemas com um cigarro pendido no canto dos lábios. Precisava se desintoxicar do seu jeito. Era um veneno. "Sabe a promessa de nunca nos deixarmos para trás", tragou um pouco da substancia querendo retornar ao dia do pacto. "Lembro, nunca. Nunca", F...

# Post Especial: O Corvo Um Livro Colaborativo

Imagem
   Aqui é a Marielle de novo, mas trazendo  uma novidade,  O Corvo Um Livro Colaborativo em breve estará nas livrarias! Mas que tal já adquirir o seu? Meu conto foi selecionado e estará nele! http://loja.editoraempireo.com.br/product/1059980/pre-venda-de-o-corvo-um-livro-colaborativo  @editoraempireo #ocorvo #livrocolaborativo #editoraempireo #ocorvoempireo #ocorvoumlivrocolaborativo

#Coluna do Nobre: Drug Parte II (capítulo 6- FINAL)

Imagem
Cinco anos antes Primeiro ano de reabilitação. Praticamente eu tinha uma velha amiga que me perseguia em segredo e então explodiu como granada. “Drogas, tudo bem, por certo tempo você esteve ao meu lado, sim, tivemos momentos únicos juntos, momentos que foram os melhores de todos os tempos e os piores também. Você me fazia sentir o que precisava sentir, adorava embriagar-me. Depois vinha uma culpa intragável, eu sentia sua falta, queria a todo tempo e você fugia de mim. Então precisei vender minhas coisas por você, vendi a corrente de prata que nunca usei — foi minha avó que me deu antes de morrer. Então minha televisão. Estava afundando na faculdade e no estagio. Minha namorada chorava com raiva de mim e perguntava a Deus como poderia ajudar a minha alma, nessa altura morávamos juntos. Sai de casa por você, sai porque vendi o faqueiro e a TV da minha mãe. Ei, calma, não estou te acusando de nada caro amigo estou dizendo como precisei tanto de você e a todo tempo me envenenou. C...

#Coluna do Nobre: Drug Parte II (capítulo 5- penúltimo)

Imagem
Beatriz Eu o esperei, sim, esperei. Esperei por saber que meu maior problema foi achar que Alexandre era um problema pra mim. Há cinco anos, eu iria terminar o que não queria e se me perguntasse que isso tudo poderia acontecer eu provavelmente socaria essa pessoa com paus e pedras quebrando seus ossos com toda minha força. Porque um amor verdadeiro nunca tem fim. O primeiro ano eu queria muito entrar naquele hospital e terminar de mata-lo, ele não tinha o direito de ter uma overdose. O que se passava naquela cabeça, me perguntava. E, querendo ou não, me culpava por não ter chegado horas antes porque podia impedir. O segundo ano conheci um cara diferente de Alexandre o tempo corre e a fila também precisava, Marcos — esse era seu nome — um homem bom, combinávamos tanto. Chegava em casa sempre com um bom vinho me levava para os melhores restaurantes e baladas. Forte, pardo, bem vestido, engenheiro. Mas oportunista. O terceiro ano queria me livrar de tudo, tudo mesmo, — era o mês ...

#Coluna do Nobre: Drug Parte II (Capítulo 4)

Imagem
Um sentimento de se estar voltando começou a brotar, não me lembrava de nada e essa era a única certeza que eu ainda tinha em mãos. Abrir os olhos pela manha sabendo que tem alguém que te ama, teve uma historia com ela e você não lembra, destrói todos seus pensamentos e te faz reconstruir tudo. Meus olhos semicerrados tentando bloquear a luz do sol que entrava pela brecha da cortina. Levanto meio tonto. Passo em frente ao espelho e vejo um Alexandre evoluído, apesar de tudo. Vejo as tatuagens que havia em meu corpo e me pergunto como elas foram parar ali, porém lembrei que Arthur me explicara. A data do meu aniversario em números romanos, peitoral esquerdo. Ombro direito, um triangulo. Em cima do bíceps direito, duas listras pretas e grossas. Uma cruz na mão direta, aproximado do polegar. No peitoral direito outra data de nascimento. Mais de quem era? Lembro-me de sair daquele apartamento pegar o primeiro ônibus para longe dali. Fiquei perambulando pelo Aterro do Flamengo. Fiquei...

#Coluna do Nobre: Drug Parte II (Capítulo 3)

Imagem
Alexandre Com estúpidas lagrimais beirando os olhos e um cigarro entre os dedos como incenso, a tranca dá duas voltas e um choque do encontro da porta de volta me desperta. Automaticamente meu rosto vira em direção ao corredor de entrada. Pisadas. Os portas retratos e alguns álbuns estavam sobre a mesa de centro. Beirando a crise, as lagrimas rolam e logo outras brotam. Ela se aproxima. Sinto seu perfume cortar o tabaco.   Por que eu sinto fielmente você me tocar, massagear minha pele, mas não sei quem é você? Porque sinto que já beijei estes lábios vermelhos? Por que sinto que fizemos amor mais nunca cheguei a te tocar? O que você é? Um anjo? Um demônio? Uma ilusão? Ou. Meu amor? Diga! Preciso de uma resposta. Por que temos fotos juntos? Por que esse anel estava no meu dedo? Porque eu estou aqui te perguntando porquês que ninguém quis responder? Por que eu sinto que minhas mãos conhece cada canto de seu corpo mais não sei nem seu nome? Nada. Um intenso vazia flutua as j...

#Coluna do Nobre: Drug Parte II (Capítulo 2)

Imagem
Margo Cinco anos depois Me lembro bem daquela montanha russa me jogando para cima e para baixo em meio a um parafuso, num looping de trezentos e sessenta graus, numa altura de um prédio de vinte andares. Aquela coisa envolvente. Aquele êxtase permanente. O sorriso contínuo nos lábios. O ar soprando no rosto extasiado pela adrenalina, beijado pelo prazer. Me lembro de você ao meu lado segurando minhas mãos geladas de medo. Rindo dos meus gritos histéricos e do frio que sentia na barriga depois daquela queda de noventa graus. Sorria como nunca vendo meus olhos lacrimejarem e das minhas caretas absurdas. Me lembro daquele: vai ficar tudo bem, sabendo que nada daria certo. Afinal olha o tamanho dessa montanha russa. Minha cabeça adoece ao te ver esquecido, deixado ao fim da tarde mal sorrindo quase vivendo uma morte súbita. Diariamente minha cabeça dói, sobre teu mundo chove, chove as lágrimas deixadas pra trás, chove emoções de saber que tudo foi esquecido. Espessas lembr...

#Coluna do Nobre: Drug Parte II (Capítulo 1)

Imagem
Alexandre Tem vezes que estamos tristes mais por certas situações nos fazemos de felizes. Não ligamos pra dor que isso ira nos causar, afinal o sorriso continua ali, seguro, frio. Você nunca sabe quando esta sorrindo de verdade ou esta dizendo pra si próprio ser forte. Essa metamorfose em forma de humano perambula por becos e vielas, morros e pistas, avenidas e estradas obrigando seus olhos nunca chorarem para que os outros não vejam sua fraqueza. Costumamos a procurar amores em lugares perdidos. Proibidos. Costumamos a sermos faíscas que acendem os fogos de artifício do ano novo. Porque somos chamas que acendem inseguros na alcova e queimamos kilometros de terra, somos o inicio nos tornamos meio e justificamos nossos fins. Somos jovens. Somos um vicio. Somos o que somos e dane-se. Ser jovem é ter noção da força e temer o quanto é forte. Isso não significa nada. Memórias não significam nada se não há quem se lembre delas. Onde estou?, foi a primeira pergunta que me veio a me...