#Coluna do Nobre: Drug Parte I (capítulo 2)



Beatriz

"Um. Dois. Três. Entorna. Entorna… ehhhhhhh!"
Em quanto todos bebiam e riam sem parar por motivos que sóbrios nunca iriam rir, talvez alguns sim, mas nem todos. Margo vomitava com Rômulo segurando seus cabelos me olha e dizendo pelo olhar que essa não era ela, essa era a menina que Rômulo sempre sonhou.  Ser uma pessoa que você não é destrói todas as suas bases. Como uma sacola plástica voando ao ar livre seguindo um fluxo desconhecido a qualquer lugar no tempo, sua alma se esvazia pouco a pouco, ser ou parecer? Qual a escolha que cabe a mim? Vale a pena corromper o verdadeiro você para se parecer com alguém que você não quer ser…
— Eu não posso deixar de amar você… — Silencio. Alexandre me olha com desdém enquanto fuma. — Você sabe disso. — Insisto. Ao jogar aquele cigarro no chão e pisar.
— Se você diz.
Queria que minha história fosse escrita num livro de aproximadamente trezentas paginas com vinte e cinco capítulos incluindo prefácio e posfácio. Por o agradecimento junto com o sumário e as abas com a sinopse e meu histórico. Seria um best-seller nacional com milhões de exemplares vendidos. Talvez futuramente entrasse para o Guines Books de o livro mais vendido em um continente e seria revendido para 148 países, claro e evidente, traduzido para 48 línguas. O sonho da literatura contemporânea surgiria dentro de mim e passaria em gerações se tornando atemporal. Praticamente me igualaria a um Platão, filosofo renomado, um Shakespeare, Broadway montaria as melhores peças. Meus livros seriam melodias líricas como consertos de Beethoven. As letras de cada poesia do livro seriam modernas e imperiais, como uma Versace na vitrine ou algo assinado por Tom Ford. O conjunto rico encheria os olhos dos leitores de lagrimas e emoção, rios e rios de lagrimas rolariam rosto abaixo por se identificarem com minha historia.
Na vida muitas coisas te fazem mudar fatores que seguem em linha de tiro obrigam a você criar uma rota diferente. Pensamos que a próxima curva pode ser fatal mais você não sabe o que tem lá. Fase um da historia surpreenda-se conforme o embalo da dança.
— Beatriz, espera garota.
— Você não percebe que esta sendo egoísta todas as horas.
— Que isso, não é pra tanto, né. Vem vamos beber mais um pouco?
— Que tal eu ir embora…
— O que você disse? — Ele chega mais perto e me rouba um beijo.
Um erro. Um belo erro. O único erro. O melhor erro que Alexandre cometeu. Cada dia que passa o vazio no peito se mantém com força um buraco visível e assombroso. Preciso contar que muitos amores morrem, alguns matam, outros são mortos, esse conjunto químico intitulado como droga entra na sua vida mais rápido que o efeito na veia. Me desculpe, eu não gostaria de falar de amor nessas circunstancias, alguns morrem, alguns se matam, alguns são mortos e alguns a morte os escolhe. Não de brecha á droga.
— Vou embora, de tudo…
— Ei, espera, até de mim?
— Tem duvidas?…
Eu tive medo de você dizer não e sabia que diria o que eu negaria ouvir. "Mais eu te amo". Desabafa. "Defina amor Alê", juro que pude ver você segurando as lagrimas mais não deu. "Poxa eu me ajusto ao seu jeito todos os dias, luto contra minhas vontades e você quer que eu defina algo que esta diante de nós". Você sussurra. "Eu e você". Diz. "Preciso definir mais alguma coisa?" Me pergunto em pensamento se era certo seguir em frente. Mas... Beatriz e Alexandre são contra tudo, somos contra o tempo.
— O que você pretende fazer? Sair de casa simplesmente assim?
— Porque não?
— Vêm vamos sair daqui.
Como um beijo apaixonado vejo o dia se tornar noite nos braços de Alexandre, o dia beija noite como a chuva beija a terra molhada e sei que é amor verdadeiro entre eles. Por que não anoitece se não houver dia e não á dia se não houver noite. Na minha mente isso parece ser o pontapé inicial do que pode ser um exemplo fiel da perfeição, e digamos com certeza, não caber na natureza humana presenciar.
Ele me beija e deixo, por que eu quero senti-lo, ele estende seu blusão na grama para eu deitar. "Eu te amo com toda minha alma garota". Enquanto estou de olhos fechados esperando o beijo de Alê, ele deitado ao contrario e encosta sua testa na minha. Ficamos assim durante um bom tempo.



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