#Coluna do Nobre : Drug Parte I (Capítulo 4)



Alexandre

Esperava o que vindo de mim, sempre demonstrei zero confiança. Sempre disse que gosto de me manter livre, o bom menino virou mal, o mau menino jamais poderá ficar bom. Cafajeste. Era uma palavra doce na boca das meninas que já passaram pela minha cama. Mas, como um fantasma estou preso a você, a personificação boa de mim.
Dirigindo a cento e vinte por hora com á radio no ultimo volume tentando afastar a espessa nuvem de pensamentos negativos percebo que fazer escolhas certas foge da minha realidade. Após uma tempestade você se previne como nunca antes porque sabe o poder que tem. Toma riscos pra si e tenta se encaixar num lugar seguro. Eu precisava assegurar num porto antes de tudo afundar. Notei que algumas coisas precisam chegar ao fim. Cedo ou tarde.
— Garotão! — Billy se aproxima balançando o rabo. Recebo lambidas bem cheirosas para não dizer ao contrario. — Como você engordou amigão.
— Filho, como você esta magro.
— Na verdade estou malhando mamãe. E quê bom que a senhora reparou, ultimamente têm se ausentado.
— Coisas acontecem meu filho. Coisas acontecem… venha vamos entrar. — Tudo estava no mesmo local, as palmeiras fênix, os anões, a mesma tinta. O cheiro de cabana-no-pé-da-montanha era o mesmo desde os tempos de moleque. — Como vai Beatriz?
— Cada dia que passa mais bonita mamãe.
— Uhuuum, o que temos aqui?… um bobo apaixonado? — Ela consegue tirar um sorriso de mim. O carpete era novo e as persianas também, o espelho enorme que cobria a extensão da mesa de jantar ganhara um novo acabamento em dourado. Seus olhos mel pediam à verdade que estava na ponta da minha língua mais meu orgulho está impedindo de dar continuidade.
— E o pai?…
— Vamos filho diga a verdade uma mãe conhece seu filho melhor que ninguém.
—…
— Não quer dizer, tudo bem esta no seu direito, você é adulto e sabe das consequências dos seus atos.
— Eu te amo tanto.
— Eu sei meu filho.
Em constante pressão costumamos a estourar como uma bomba.
— É a Beatriz, ela quer se separar de mim. Ela diz que não esta dando certo. Mal se casamos ainda estamos noivos e ela quer ir embora…
—… mas, porque meu amor? Esta acontecendo alguma coisa? — Meus olhos se assustam com a pergunta, de repente lagrimas confusas rolam rosto abaixo e aqueles olhos mel analisa meu semblante em cada angulo. — Não minta para a mamãe filho, o que você anda fazendo?
— Nada! — Grito. O copo d'água automaticamente voa se espatifando na parede. Meu autocontrole foi à zero. A bomba estourou agora vem o efeito disso. Mamãe se levanta e pega Billy no colo que não esta entendendo nada. Cubro a cabeça de vergonha. Me curvo. Um sentimento abrupto de culpa rasga meu ser adentrando ferozmente. — Ai meu Deus o que fiz… — Ela olha sem nenhuma emoção. — Desculpa. Me desculpa. Me desculpa. Me desculpa. Me desculpa. Me desculpa. Me desculpa. Por favor.
— Alexandre o que você têm feito? — A pergunta ecoa como ondas de radio, o vazio que ecoava na minha mente vai paralisando o tempo aos poucos, olho para boca dela repetindo a pergunta. Tudo lento. Como ondas. Só um pequenino estalido de estática no termino de cada frase. “Alexandre. O que. Você. Têm. Feito?”. Sem saber o que fazer penso no que tenho feito. Mais o que tenho… o que tenho feito? Penso alto a ponto de falar.
— O que tenho feito mamãe? — Ainda estou de cabeça baixa. Meu rosto de assustado por não saber o que tenho feito mudou, agora sei o que tenho feito. Olho em seus olhos o rosto de mamãe ainda sem emoção me olha com compaixão. Ela sabia que seu filho estava muito confuso e mal. Rapidamente me levanto sem retirara os olhos dos dela, paro na porta, dou uma ultima olhada rememorando dias bons, Billy estava roendo seu pequeno osso de brinquedo fora do colo de sua dona.
Respondo.
— Tenho sido mal.
Bato a porta e corro para meu carro e acelero com toda força deixando marca de pneu no asfalto. Era tarde o sol ainda no céu. Meus pensamentos estavam me deixando sem atenção uma vez ou outra quase me vi batendo. Será que é preciso deixar rolar? Seguir em frente. Mas sem lutar?

Paro o carro na estrada de volta para o apartamento, vasculho o carro por completo e acho minha garrafa de Gin pela metade. Aumento o som num volume que meus pensamentos eram destruídos pela batida da musica. Acelero. Estava voando na estrada. “P-O-ORRA-A-H-H!”. Começo a bater no volante. “A-A-A-AH!”. Lagrimas rolam sem demora. Eu sinto. Esta fazendo efeito o som fica perfeito e tudo tão lento. O vento bagunçando meus cabelos e secando minhas lagrimas. Bebo um pouco mais de Gin. Por tudo que é mais sagrado eu queria morrer.
Meus olhos inchados e meio avermelhados indicavam que eu não era eu. Com um Cd preparo um pouco de cocaína no vinil, rasgo um pedaço de papel do bloco de anotações e enrolo formando um pequeno canudo e mando a ver.
Pego todas as cervejas da geladeira entorno cada uma lentamente para que eu sinta o que esta acontecendo na minha vida. Tragédia. Lembro-me de um baseado escondido na capa do DVD, acendo o isqueiro. Bebo e fumo. Eu queria morrer. Já era quinta garrafa de cerveja e o baseado estava no fim. Eu quero mais sinto que quero mais. Mais. Mais. Eu quero mais. Vou ao banheiro ligo a torneira no fraco para tomar banho. Heroína, eu sabia que tinha em algum lugar, um amigo meu esqueceu e eu guardei. Eu precisava de mais. Eu queria mais. Eu queria me matar. Quero morrer. Sinto isso. Mais. Mais. Quero mais. Jogo a guimba numa barata que descia a parede.
Meu estomago embrulhou. Vomito algo pastoso e irreconhecível. Havia sangue em meio a esse vomito e escorria pela borda do vaso. Uma lesma desliza no meio da minha testa o pavor de repente explode dentro de mim, bato com a cabeça no espelho abrindo uma ferida no lugar de onde a lesma estava. Será que pulou? Morreu? Cadê ela? Senti medo. Muito medo.
Injeto na veio do pé toda a substância. Era possível sentir a substância se alastrar arrepiando todos meus pelos, meus olhos farfalharam, um pequeno ganido de dor saio da minha garganta ao retirar a seringa da veia. Que delicia. Eu estava levitando. Não existia gravidade alguma. Um beijo com pegada agora seria gostoso como nunca antes foi.
Cento no sofá e bebo um pouco mais de cerveja, de repente rachaduras se abrem na parede e muitas baratas emanam de lá, taco a garrafa na parede espalhando cerveja por toda ela. Pelo menos essas coisas nojentas sumiram.
"AHHH! Não… Não… Não… Sai. Sai. AHHH! Não… Não…" Baratas começam a subir meus pés. "AHH!" Tiro os sapatos rapidamente e subo no sofá num pulo ligeiro. Elas sobem nas minhas roupas e resolvo tirar tudo ficando nu. Ouço barulho de água derramando. Aranhas e lesmas estão por todo o carpete. Tento me pendurar nas cortinas mais elas arrebentam me lançando para cima das cobras que estão rastejando descendo as paredes. "AHHH!" Gritos histéricos saem de mim machucando minha garganta.
Corro desesperado. Em direção ao quarto pisando em cacos de vidro fazendo-me parar. Tiro o caco dos pés, mas tarde de mais uma cobra enorme enrola meu calcanhar me paralisando. Sinto tanto medo. O medo cala a minha boca então paro de gritar. Meus olhos espantados começam a embaçar. Meu corpo treme como nunca antes, aquelas cobras estão esmagando-me. Perco o ar. Vejo aquele borrão alaranjado com aureola em volta como um véu. Então…
Um anjo me toca…

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