#6 Coluna do Nobre: Bons meninos são maus (Capítulo 1)




Confira o primeiro capítulo do novo conto do Victor. Aproveitem!


O que se dizer para a vizinha nova? Oi? Bom dia? Ola? Ei acho você uma delicia?... Que merda. Não consigo dizer um oi — onde isso vai parar. Bem, minha mãe é subsíndica do bloco assim fica mais fácil, ou não? Talvez eu só vá dizer oi colega ou olá vizinha esta tudo bem se ela não me responder, e também não vai precisar, dou à mínima se não me responder, mas meu Deus como ela é suavemente desenhado pelo Santo dedo de Deus. Estou sendo tão patético. Você sabe quem eu sou. Eu sei quem sou. E sei que não passaria por isso nunca, porque não é da minha praia ter vergonha da conquista. Quem fala a vós é o Alexandre o Grande. Imperador. Belo. Forte. Moreno. Dentes perolados. Barba por fazer. Nariz fino. Olhos claros. Testa pequena — Deus me livre guarde ter testa que nem marquise. O cara bobo e certo pra se casar. Na verdade o otário certo de se pisar e fazer pouco caso…
Gostaria de compartilhar uma historia mais nada verídica, qualquer verossimilhança com a realidade será inútil o decorrer da informação que darei. Nada pessoal, mas quem nunca levou um Não. Eu, particularmente, contando nos dedos das mãos. Sim, já levei. Um já foi o suficiente.
Você aprende a contar NÃOS que já levou, não da pessoa que quer ficar, não no pedido de um beijo, não e não e não e não e não e não. Onde fica o Sim? Simplesmente deixa de existir em nossas expectativas e foge de nossas perspectivas. Acho que me enrolei!


***
A chuva cai feroz descarregando todo seu nível de água que era esperado para três dias seguidos. Vê como estou ensopado e tremendo, talvez você nunca tenha tomado banho na rua, pois bem, eu tomei, acabou de passar um carro em alta velocidade jogando aquela água toda da poça em cima de mim. Que Deus ajude essa alma na próxima curva. Eu não podia desejar algo muito mal para essa alma mais fui brando em minha investida: “Tomara que você tenha apendicite, seu filho da mãe!”. Viu como ele amostra o infeliz dedo do meio. Mentalmente, claro, imaginei eu o dizendo para enfiar o dedo e toda sua mão no seu orifício nojento. Babaca. Só pode ser virgem.
Chego ao prédio e vejo no estacionamento ela trazendo as compras junto com seu pai, essa era a oportunidade apropriada. Ofereci-me. Vejam como eu olho para seu cabelo ensopado grudado no rosto e como seu batom vermelho contornam perfeitamente as voltas de seus lábios. Nunca me senti atraído assim.
Já fiquei com muitas: Amanda, Bianca, Diana, Camila, Laura, Anastácia, Rebecca, Candy, Juliana, Miriam, Marien, Maria, Aline… etc. Já namorei cinco: Eduarda, Cássia, Larissa, Marcela, e a ultima Jaqueline. Já vive o suficiente para entender que sou o quanto valho. Nada. E eu sei. E eu gosto disso. Ser o cara que vale nada atrai princesa, e plebeu adora pegar as princesas.
Eu vi, não, minto, na verdade acho que li. Sei lá, mas lembro-me que a pessoa disse que existem três tipos de homens… ah, foi no filme Bonnie & Clayde. Eu acho.
Existe o homem ovelha, inocente de mais, que não sabe se defender sozinho, ou seja, covarde de mais para o mundo.
Existe o homem pastor-alemão, é bom, fidelidade é seu lema, mas só é feroz quando ataca sua família.
Existem os Pitbull, imprevisíveis, instáveis, maliciosos e mal o bastante. Corajosos sem medo de encarar.
Você deve estar se perguntando em qual desses cães eu me encaixo? Estou certo? Talvez eu seja um Pitbull, mas depois que ela me olhou com aqueles olhos avelã me perdi. Perdi o ar.
Se isso era bom?
Não, obvio que não.
Se eu ficaria com ela?
Com certeza.
Lembra-se da minha duvida de como me apresentar: “Oi eu sou seu próximo cafetão!”. “Oi, eu sou o problema perfeito para sua vida”. “Ola, eu partirei seu coração sem pena. Que namorar comigo?”
Se eu estou tremo de frio ainda por conta da chuva? Não aquela visão de seus lábios perfeitos me aqueceu.
Se eu vou perguntarei seu nome?
Sim, se conseguir. Nunca cheguei a esse ponto.
Ah, obvio, eu estava confiante, mas… afinal como eu iria me apresentar.
O pai dela entrou primeiro enquanto ela subia as escadas em minha frente. Eu nunca vi um par de nádegas tão redondos deste ângulo. Eu queria dizer: “Oi sou o cafajeste que você vai se apaixonar”.
Mais fora ela que se dirigiu a mim.
Ela disse: “Bem, obrigado pela ajuda”.
Eu: “Nada”.
Ela: “Você é o Alexandre né?”.
Eu: “Sim”. Como ela sabe meu nome Deus do céu, muito obrigado cara.
Ela: “A gente se ver por ai?”

Eu: “Sim”.

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