#9 Coluna do Nobre : Bons meninos são maus (Capítulo 5)


Este capítulo está emocionante!


Era domingo, todos envoltos da churrasqueira, o som da MPB solta nas caixas de som portátil. O mundo poderia acabar naquele exato momento. Você me pergunta. Porque raios o mundo acabaria naquele momento, um momento comum para meio milhão de pessoas, respondo com calma. Eu estava sentado olhando para seu cabelo preso num rabo de cavalo no pé da cabeça, Beatriz estava dançando um Samba clássico. Ela me convida. E dançamos enquanto todos olhavam para nós dois. A dama e o vagabundo. O mundo com certeza poderia acabar ali, naquele exato momento, e neste momento morreria dançando com meu verdadeiro e único amor.
Não pense que não a desejei, não pense que eu não quis, não diga nada. Quer saber, diga, diga para toda costa oeste. Vá! Diga a todos do nordeste, do centro-oeste, do sul. Diga para eles que estou amando a menina dos olhos avelã, diga a eles que eu estou feliz, feliz de ter meus olhos em seu mundo.

***

Precisava crescer e saber como lidar com o amor. Preciso mudar algumas atitudes. As mulheres precisam ser notadas, elas só querem ser notadas! Caramba, será tão difícil fazer Beatriz entender que a amo. Digo a mim mesmo, mil e algumas vezes, que Beatriz é diferente da maioria igual. Carrego na genética o egoísmo, não adianta, todos os homens são egoístas.
Ser notadas é fundamental para dar o primeiro passo na relação, querem ser notadas pela nova cor do esmalte ou o novo brinco. O anel que esta em seu dedo. Bem que o ditado não erra: mulheres se vestem para outras mulheres.
Beatriz não precisa de um Alexandre que a chame de gostosa. Alexandre o Grande deixou de existir. Na verdade ele nunca existiu foi apenas uma amostra de ego.
É interessante como a onda quebra no banco de areia puxando para dentro de si toda sujeira da orla. É interessante como Beatriz suportou este meu jeito de cafajeste por um tempo. É interessante como eu não deixo de ama-la.
Todas as horas, minutos, segundos, depois de tudo, penso que nunca deveria ter ajudado a menina de batom vermelho, nunca deveria ser seu amigo e agora o que faço com esse sentimento? Bem, ela disse para eu ir me ferrar, O.K., porém Beatriz esqueceu-se que fora ela mesma que me ferrou desde o inicio. Como fui covarde pensando assim.
Como se fosse ontem havia passado cinco semanas da festa que a levei no casarão em Botafogo, Beatriz havia saído para respirar um pouco. Bem no exato momento que iria beija-la. Estava vomitando. Seguro seu cabelo e ajudo a se equilibrar. “Quer ir embora?” Ela balança a cabeça que não. Estava com medo, será que errei? Beatriz vai ao banheiro e ficar por lá alguns minutos e sai uma deusa, diretamente do Monte Olimpo, com um coque no cabelo. Maquiagem retocada e seu batom vermelho.
Tudo estava milimetricamente lento, ela sumia na massa cinzenta, eu estava violeta por conta da blusa branca. Ficávamos mais suados a cada musica. Peguei um potinho de tinta fluorescente a base d’água. Ela pintou meu rosto da sua forma e eu a pintei da minha forma. Ela brilhava magicamente e eu sumia perante tanta beleza. “Eu curto você”. Disse no pé de seu ouvido. “De verdade”. Ela sorri. Meus lábios estavam tão perto que por um momento achei sentir sua respiração. Beatriz me puxa para um canto escuro. “Para onde esta me levando?” Pergunto. Beatriz faz um cara de que iria aprontar. Estava me sentindo vivo algo que não sentia muito com outras garotas. Só me sentia vivo com Beatriz.

***

Minha boca havia parado de sangrar — lembra que ela me bateu há poucos minutos —, mas minha blusa, boa parte, estava suja de sangue e seu cuspe. Beatriz correu pela escada, não queria ir de elevador, permanecia em ritmo acelerado. Sim, eu sei que deveria dar espaço a ela mais eu avisei pra mim mesmo que amor é um jogo de encruzilhada. Talvez eu fale de mais coisas nada haver que levam a coisas mais nada haver ainda. Em parte, algumas coisas têm sentidos outras nem tanto. Embora, mesmo sabendo das consequências que causei preciso de Beatriz mais do que preciso respirar.
Após simular o falso afogamento, Beatriz fez a técnica de respiração boca a boca, não era para confessar, mas já que as cartas estão na mesa… Eu venho sonhando com ela me beijando. Eu deitado no parapeito da piscina o céu azul exuberante ao fundo, seus cabelos fazendo sombra ao meu rosto, lembro-me de estar procurando a avelã de seus olhos, embora nunca mais quisesse acordar. Acordei. Lembrei também de seus lábios vermelhos naquela época da chuva. Acordei quando as lindas curvas de seus lábios vermelhos selaram os meus com um suave estalido.
"Ei, espere. Deixa disso sabe que você é especial para mim". Vê o anel em seu dedo do meio que acabou de mostrar? Então, fui eu que dei.
Depois da confusão da sala de jogos Beatriz saiu correndo me condenando. Ela estava correta em bater em mim, causei dores em quem queria ir com calma. Eu disse isso a ela. Eu sei que disse. Dirija-me. Bata-me. Destrua-me. Estilhaça-me. Com paus e pedras. Mais não dê um passo ao norte sem mim, pois sem seu calor aqui no sul congela.
"Por favor, não fale mais comigo". Ela diz. Beatriz esta a um degrau de mim, meu corpo estava dolorido. Estava com muita dor na região da nuca. "Amo mais você do que a mim mesmo". Ela entra no apartamento e bate a porta. Toco a campainha. Uma. Duas. Três. “Vai à merda!”. Grita. Quatro. Cinco. Seis. Sete…
Beatriz sai de seu apartamento com um revolver apontando para minha testa, arregalo os olhos assustado com a arma em sua mão. Exaurida fala quase chorando: “Você não me conhece o suficiente garoto”. Ela anda em minha direção. Já dera dois passos para trás. De repente dou um passo á frente. “Quer saber, conheço mais que o suficiente. E sei que você não vai atir… AHHH”.
— ALÊ!
Bow.

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