#Coluna do Nobre: Romeo (Capítulo 4)



   Esperava tudo menos essa decepção, na verdade não se esperava nada porque mal o conhecia, era de se esperar algo parecido, olha se contradizendo novamente, esse clichê que a perseguia de um homem perfeito. Se ao menos a palavra perfeição tive algum sentido. Flora ligou para o numero mais era um número errado. Não era o dele. Um homem muito ignorante pintou e bordou do outro lado da linha afirmando que estava sendo perseguido por esse número e iria a políciafazer um boletim de ocorrência porque sempre ligam nesse maldito número atrás de um Romeo e ele não morava lá. Estava chato porque não era a primeira e sim várias.
   Na praça do bairro desconstruindo algumas coisas que conseguia observar, precisava admitir uma coisa: ele é lindo, ainda lembra-se da voz arrastada, o palito no canto dos lábios desenhados, sentia desejo de beijá-lo, desejo de sentir o gosto da boca dele. E de repente um tédio fuzilou todas suas entranhas. Será que Romeo existia. Seria um bandido. Sequestraria. Será que estava maluca e havia criado alguém que nunca existiu. Ele era apenas um caixa-da-livraria-do-bairro-vizinho.
— Ei. Você aqui!
— Vai toma no cú.
— No cú O.K.
—…
— Por que está tão seria?
— Eu vou sair daqui agora, me faça o favor de não falar mais comigo.
— Ei, mal sei seu nome.
— Não te interessa Romeo.
— Como sabe o meu?
— Não te interessa de novo.
— Ah, vamos lá, olhe a grosseria, eu não sou um fantasma eu existo. Não me ignoraria pra sempre.
— Como? Você está me seguindo garoto?
— Não.
— Está ou não esta?
— Não.
— Então porque falou que não te ignoraria para sempre?
— Falei por falar, mas já que não sou bem-vindo vou indo tomar naquele lugar.
— Que vá!
— Tudo bem!
   Soltou os cachos da chuchinha despretensiosamente como se Flora não estivesse ali, despenteou retirou um boné da mochila com a aba para trás. Foi embora na mesma direção que chegou. Flora estava com muita raiva e queria estrangular seu pescoço, andou alguns quarteirões sem olhar para trás, como sabia disso? Sim, ela o seguiu. Entrou na estação de metro e foi em direção ao banheiro masculino. Flora se posicionou num ponto estratégico e ficou observando, ele não saia de lá isso já havia se passado meia hora, saiu com roupas diferentes, havia trocado de roupa, os cabelos esticados presos para trás perfeitamente, está social como um presidente de alguma empresa de departamentos, pagou sua passagem e encaminhou-se até o vagão que chegara pontualmente.
   Ela entra em cena como se o destino estivesse os unindo por algum motivo, Romeo observa, aproxima-se e senta do lado da menina disposta a bater nele naquele momento.
— Porque me seguiu?
— Eu?
— Sim.
— Não, não te segui.
— Tudo bem, então esta indo para onde?
— Não interessa.
— Ah, tudo bem então. Acho que é agora que dizemos adeus, né?
— Porque se despedir se não se conhecemos?
— Tudo bem.
— Tudo bem. Você foi tomar no cú?
— Acho que sim.
— Eu vi.
— Viu o que?
— Aquele homem saindo depois de um tempo que você entrou no banheiro.
— Então realmente me seguiu?
— Sim, admito.
— E outra, sou hétero, demorei por que o banheiro lá dentro é pequeno e para colocar toda essa roupa demora.
— Porque é tão misterioso?
— Você é maluca?
— Não.
— Da policia?
— Não.
— Eu sei, só perguntei achando que iria se ofender.
— Não, estou de boa.
— Que bom.
— Onde você mora?
— Eu?
— Sim.
— Eu moro no mundo.
— Eu também, que coincidência. Mais quero saber se tem uma casa.
— Sei lá, moro em todos os lugares.
— Você parece uma piada em pessoa!
— Já me disseram isso.
— Bem, você é real, mas porque tanto suspense? 
— Eu não estou de suspense, você que me seguiu.
— A culpa é minha então.
— Sim.
— O.K.
— Quer ir lá para casa?
— Mais você não tem casa.
— Tenho sim, quer ir?
— Sim.
— Tudo bem é preciso avisá-la que sou uma distração em pessoa.
— Foda-se.
— Pensei o mesmo.
— Somos dois.

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